NATURALISMO





O Naturalismo foi um movimento cultural relacionado às artes plásticas, literatura e teatro. Surgiu na França, na segunda metade do século XIX. Manifesta-se também em outros países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil. Baseia-se na filosofia de que só as leis da natureza são válidas para explicar o mundo e de que o homem está sujeito a um inevitável condicionamento biológico e social.
As obras retratam a realidade de forma ainda mais objetiva e fiel do que no realismo. Por isso, o naturalismo é considerado uma radicalização desse movimento. Nas artes plásticas não tem o engajamento ideológico do realismo, mas na literatura e no teatro mantém a preocupação com os problemas sociais.
Influenciados pelo positivismo e pela Teoria de Evolução das Espécies, os naturalistas apresentam a realidade com rigor quase científico. Objetividade, imparcialidade, materialismo e determinismo são as bases de sua visão de mundo. Características do naturalismo existem na França desde 1840, mas é em 1880 que o escritor Émile Zola (1840-1902) reúne os princípios da tendência em seu livro de ensaios O Romance Experimenta.
Principais diferenças entre Realismo e Naturalismo
Características do realismo e naturalismo


Características do Naturalismo

Descrição
Na literatura, ocorre muito o uso de descrições de ambientes e de pessoas. Sendo assim a descrição predomina sobre a narração, de tal modo que os autores, em vez de narrar acontecimentos, os escrevem em detalhes. Acontecimentos e emoções ficam em segundo plano. A descrição era muitas vezes lenta e exaustiva.
Linguagem coloquial
Ainda na literatura, a linguagem é simples e direta. Muitas vezes, para descrever vícios e mazelas humanos, usam-se expressões vulgares.
Instintos humanos
Cada indivíduo traz dentro de si instintos hereditários, que explodem repentinamente em manifestações de luxúria, tara, indignidade e crimes. Por mais que cada um desenvolva sua racionalidade, seu domínio sobre si próprio, ajustando-se à convivência social, nunca será suficientemente forte para domar as forças subterrâneas que vêm à tona, arrastando-o a um universo de anormalidades e vícios.
Determinismo da herança biológica
De acordo com teses biológicas então dominantes, o homem receberia o temperamento por um tipo de herança transmitida pelo sangue. Mais do que uma propensão ou tendência - como alguns o entendem hoje - o temperamento funciona, na ciência e literatura naturalista, como suporte decisivo da construção da personalidade e mola propulsora do comportamento individual, de tal forma que o homem não passa de um joguete de incontroláveis forças atávicas.
Neste mesmo componente "biológico" entra a questão da raça. Alguns intelectuais começam a forjar os primeiros ensaios sobre as "diferenças naturais" entre as várias etnias, abrindo caminho para o desprezível pensamento racista do século XX. É verdade que nem sempre há uma intenção preconceituosa nos teóricos naturalistas, mas eles acabam invariavelmente celebrando o homem ariano.
Personagens Patológicos
Para comprovar as suas teses - primordialmente a da hereditariedade do temperamento - os escritores valem-se muitas vezes de personagens mórbidos, doentios, anormais, doentes. É uma legião de bêbados, assassinos, incestuosos, devassos, prostitutas, lésbicas, etc. "Acúmulo de horrores cientificamente comprovados", afirmou com certa razão um crítico europeu.
Temas de patologia social
Preferência por temas como miséria, adultério, crimes, problemas sociais, taras sexuais e etc. A exploração de temas patológicos traduz a vontade de analisar todas as podridões sociais e humanas sem se preocupar com a reação do público. Ao analisar os problemas sociais, o naturalista mostra uma vontade de reformar a sociedade, ou seja, denunciar estes problemas era uma forma de tentar reformar a sociedade.
Outras características:
- Forte influência do evolucionismo de Charles Darwin;
- A realidade é mostrada através de uma forma científica (influência do positivismo).

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