ROMANTISMO - A primeira geração




Nacionalista ou Indianista
A primeira geração do Romantismo brasileiro destacou-se pela tentativa de adaptar, de maneira nacionalista, o Romantismo europeu à natureza exótica e exuberante do Brasil. A nação que surgia com a Independência buscava seus heróis formadores, os quais diferenciassem o nosso país das origens europeias. Os primeiros românticos eram utópicos. Para criar uma nova identidade nacional, buscaram suas bases no nativismo da literatura anterior à Independência, no elogio à terra e ao homem primitivo. Inspirados em Montaigne e Rousseau, idealizavam os índios como bons selvagens, cujos valores heroicos tomavam como modelo da formação do povo brasileiro. 
Entre as principais características da primeira geração romântica no Brasil estão: o nacionalismo ufanista, o indianismo, o subjetivismo, a religiosidade, o brasileirismo (linguagem), a evasão do tempo e espaço, o egocentrismo, o individualismo, o sofrimento amoroso, a exaltação da liberdade, a expressão de estados de alma, emoções e sentimentalismo.
Principais Autores:
Gonçalves Dias
Embora Gonçalves de Magalhães e Porto Alegre tenham sido os introdutores do Romantismo no Brasil, foi Antônio Gonçalves Dias o primeiro poeta de real valor a surgir na primeira geração romântica da poesia brasileira.
Nascido no Maranhão, filho de pai português e mãe provavelmente cafuza, Gonçalves Dias orgulhava-se de ter no sangue as três raças formadoras do povo brasileiro: a branca, a índia e a negra. Embora seu pai tenha se casado com outra mulher, o sustentou na infância e pretendia levá-lo para estudar em Portugal. Após a morte do pai, sua madrasta mandou-o para a Universidade de Coimbra, em 1840. Atravessando graves problemas financeiros, Gonçalves Dias foi sustentado por amigos até se graduar bacharel em 1844. Nesse período, escreveu vários poemas, como 'Canção do Exílio', e peças de teatro, como Patkull e Beatriz Cenci
Retornando ao Brasil, Gonçalves Dias conhece Ana Amélia Ferreira do Vale, que se tornaria o grande amor de sua vida. Em 1846, morando no Rio de Janeiro, publica os Primeiros Cantos, em que já aparecem, entre as Poesias Americanas, grandes poemas indianistas, como 'O Canto do Piaga' e 'Deprecação'. Esse livro trouxe-lhe a fama e a admiração do escritor português Alexandre Herculano e do imperador D. Pedro II, que, a partir de então, o nomeia para cargos públicos. Em 1848, publica osSegundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão, de inspiração medievalista. No ano seguinte, funda a revista Guanabara com Manuel de Araújo Porto Alegre e o romancista Joaquim Manuel de Macedo. Recebe do imperador a Ordem da Rosa. Em 1851 publica Últimos Cantos, em que inclui seus mais importantes poemas 'americanos': 'Leito de Folhas Verdes', 'Marabá' e 'I-Juca-Pirama'. Inicia uma série de viagens oficiais pelo Norte do Brasil. 
Em São Luís, no Maranhão, em 1851, pede a mão de Ana Amélia em casamento. Recusado pela família da amada, casa-se, no Rio de Janeiro, com Olímpia da Costa, em 1852. Entre 1854 e 1858, realiza uma série de viagens oficiais pela Europa. Escreve então um de seus maiores poemas líricos, 'Ainda uma Vez, Adeus!', a partir de um encontro casual com Ana Amélia. Em 1858, publica osCantos e os quatro primeiros cantos de 'Os Timbiras' e regressa ao Brasil. Entre 1859 e 1862, participa da Comissão Científica de Exploração, destinada a investigar os locais menos conhecidos do Brasil. Acometido de graves doenças em diversos órgãos, em 1862 vai se tratar na Europa. Dois anos depois, muito doente, embarca no navio Ville de Boulogne para retornar ao Brasil. O navio naufraga na costa brasileira em 3 de novembro de 1864. Salvam-se todos, menos o poeta, que, já moribundo, é esquecido em seu leito. Deixa incompleto o poema épico 'Os Timbiras', seguramente a melhor tentativa de se registrar, por meio da poesia épica, a visão heroica do índio, tão cara à primeira geração poética do Romantismo brasileiro. 
Gonçalves de Magalhães
Domingos José Gonçalves de Magalhães, Visconde de Araguaia, era filho de Pedro Gonçalves de Magalhães Chaves. Formou-se em Medicina, em 1832. Também estudou filosofia com o orador religioso Monte Alverne, sofrendo a sua influência.

Em 1832 publicou "Poesias" e, no ano seguinte, foi para a Europa aperfeiçoar-se em medicina. Em 1836, lançou, em Paris, um manifesto do Romantismo: "Discurso sobre a Literatura no Brasil". Em parceria com Araújo Porto-Alegre e Torres Homem, lançou "Niterói, Revista Brasiliense". No mesmo ano, editou, também em Paris, "Suspiros Poéticos e Saudades", considerado o livro que deu início ao Romantismo no Brasil.

No prefácio desse livro, Magalhães expõe os tópicos fundamentais do Romantismo, em sua primeira fase: religião, individualismo, sentimentalismo, patriotismo, liberdade de expressão, senso da história e evocação da infância.

De retorno ao Brasil em 1837, foi aclamado chefe da "nova escola". Segundo Antonio Candido, durante uns dez anos, Magalhães foi "a" literatura brasileira. Levou a sério sua função de criar uma nova literatura do país recém-independente. Quis, portanto, reformar a poesia lírica e a epopéia; e dotar a literatura brasileira de teatro, romance, ensaio crítico, histórico e filosófico.
Além das obras de poesias acima mencionadas, escreveu: "A Confederação dos Tamoios" (1858), "Os Mistérios" (1858), "Urânia" (1861), "Cânticos Fúnebres" (1864). Foi autor de duas tragédias, "Antônio José" (1838) e "Olgiato" (1839); dos ensaios de "Opúsculos Históricos e Literários" (1865); e das obras de filosofia: "Fatos do Espírito Humano" (1858), "A Alma e o Cérebro" (1876) e "Comentários e Pensamentos" (1880).

Foi ainda secretário do Duque de Caxias, no Maranhão e no Rio Grande do Sul. Em 1847, entrou para a diplomacia, foi Ministro, em missão especial, no Paraguai, e depois, na Áustria, nos Estados Unidos, Argentina e Santa Sé. Exerceu ainda o cargo de Encarregado de Negócios no reino das Duas Sicílias, no Piemonte, na Rússia e na Espanha. 

O poema "A Confederação dos Tamoios" causou grande polêmica, devido ao seu caráter paradoxal, que celebra ao mesmo tempo o índio e o catequizador num poema épico, que deveria, por suas próprias características, ter apenas um ponto de vista. Assim, foi atacado por muitos escritores, entre os quais um nome de peso como José de Alencar. Por outro lado, defenderam-no, entre outros, Monte Alverne e o próprio imperador Pedro 2o, seu amigo.

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