O início da prosa literária brasileira ocorreu no Romantismo. Com o gradual desenvolvimento de algumas cidades, sobre tudo o Rio de Janeiro, a cidade da corte, formou-se um público composto basicamente de jovens da classe alta, cujo ócio permitia a leitura de romances e folhetins.
Esse público leitor buscava na literatura apenas distração. Torcia por suas personagens, sofria com as desilusões das heroínas e tranquilizava-se com o inevitável final feliz. E, tão logo chegava ao fim, fechava o livro esquecia-o, esperando o próximo, que lhe oferecia praticamente as mesmas emoções. O público de hoje substituiu os romances e folhetins pelas telenovelas e fotonovelas, mas ainda continua em busca de distração, passando o tempo a torcer e chorar por seus heróis.
Principais autores:
Joaquim Manuel de Macedo
O médico e escritor Joaquim Manuel de Macedo, nasceu em 24 de junho de 1820 em Itaboraí, RJ, e faleceu em 11 de abril de 1882, no Rio de Janeiro, RJ.
Filho de Severino de Macedo Carvalho e Benigna Catarina da Conceição, Macedo foi criado em sua terra natal, onde concluiu os estudos secundários. Mudou-se, em 1838, para a cidade do Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade de Medicina.
Filho de Severino de Macedo Carvalho e Benigna Catarina da Conceição, Macedo foi criado em sua terra natal, onde concluiu os estudos secundários. Mudou-se, em 1838, para a cidade do Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade de Medicina.
Formou-se em 1844, nesse mesmo ano publicou A Moreninha, essa obra marca o início da ficção do romantismo brasileiro. Exerceu a profissão de médico por algum tempo no interior do estado do Rio. Sua primeira obra rendeu-lhe fama de forma tão intensa que o levou a abrir mão da carreira médica para dedicar-se exclusivamente à literatura e ao jornalismo.
No ano de 1849, fundou a revista Guanabara, junto com Araújo Porto-Alegre e Gonçalves Dias.
No ano de 1849, fundou a revista Guanabara, junto com Araújo Porto-Alegre e Gonçalves Dias.
Nessa revista, trechos de seu poema-romance A Nebulosa foram publicados, obra considerada por muitos como uma das melhores do Romantismo.
Foi membro do Conselho Diretor da Instituição Pública da Corte (1866) e professor de História e Geografia do Brasil, no Colégio Dom Pedro II, ligado à família de Dom Pedro II e à família Imperial Brasileira foi preceptor e professor dos filhos da Princesa Isabel.
Na década de 1850, fundou o jornal A Nação do qual tornou-se o principal articulista. Ligado ao Partido Liberal, se elegeu deputado federal provincial (1854-1859) e geral (1864-1868 / 1878-1881).
Nos últimos anos de vida foi afligido por problemas mentais, morreu antes de completar 62 anos.
Sua obra é extensa e de grande importância literária, visto que é considerado um dos fundadores do romance no Brasil e um dos principais responsáveis pela criação do teatro também no Brasil.
Macedo é o patrono da cadeira nº. 20 da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Suas principais obras são:
Suas principais obras são:
Romances: A moreninha (1844); O moço loiro (1845); Os dois amores (1848); Rosa (1849); Vicentina (1853); O forasteiro (1855); Os romances da semana (1861); Rio do Quarto (1869); A luneta mágica (1869); As Vítimas-algozes (1869); As mulheres de mantilha (1870-1871).
Sátiras políticas: A carteira do meu tio (1855); Memórias do sobrinho do meu tio (1867-1868).
Dramas: O cego (1845); Cobé (1849); Lusbela (1863).
Dramas: O cego (1845); Cobé (1849); Lusbela (1863).
Comédias: O fantasma branco (1856); O primo da Califórnia (1858); Luxo e vaidade (1860); A torre em concurso (1863); Cincinato quebra-louças (1873).
Poesia: A nebulosa (1857).
José de Alencar
José de Alencar
Filho de um ilustre senador do império, José Martiniano de Alencar cursou advocacia, mas logo tornou-se político, jornalista e escritor. Foi nessa última atividade que obteve maior destaque para a posteridade. Considerado o maior romancista do Romantismo brasileiro, Alencar criou uma literatura nacionalista, empregando um vocabulário e uma sintaxe típicos do Brasil e evitando o estilo lusitano, que até então prevalecia na literatura aqui produzida.
Sua obra traça um perfil da cultura e dos costumes de sua época, bem como da História do Brasil, tendo como preocupação essencial a busca de uma identidade nacional, seja quando descreve a sociedade burguesa do Rio de Janeiro, seja quando se volta para os temas ligados ao índio ou ao sertanejo.
Ao lado da literatura, não se pode esquecer de que José de Alencar foi um político atuante, vindo a ser deputado provincial do Ceará e a ocupar o cargo de ministro da Justiça. Deixou a política após ter seu nome vetado pelo imperador D. Pedro 2° para o cargo de senador. Deprimido e debilitado pela tuberculose, de que sofria desde a juventude, foi para a Europa para se tratar. Sem obter resultados, voltou ao Brasil em estado grave, morrendo pouco tempo depois, aos 48 anos.
Seus romances classificam-se em quatro categorias:
Romances Urbanos
A obra urbana de Alencar segue o padrão do típico romance de folhetim, retratando a alta sociedade fluminense do Segundo reinado, com tramas que envolvem amor, segredos e suspense. Mas por trás da futilidade dos namoricos da Corte está a crítica à hipocrisia, à ambição e à desigualdade social.
José de Alencar também chega a analisar o caráter psicológico de suas personagens femininas, revelando seus conflitos interiores e antecipando as características da escola realista, que sucedeu o Romantismo. Seus romances urbanos são: Cinco minutos (1860), A viuvinha (1860), Lucíola (1862), Diva (1864), A pata da gazela (1870), Sonhos d'ouro (1872), Senhora (1875) e Encarnação (1877). Senhora é considerado o mais importante deste grupo.
Romances Indianistas
Os livros indianistas buscam transportar as tradições indígenas para a ficção, relatando mitos, lendas, festas, usos e costumes, muitas vezes observados pessoalmente pelo autor. Mesmo assim, o índio é visto de maneira idealizada, que representa, em nível simbólico, a origem do povo brasileiro. Nesse sentido, seus textos trazem a imagem do homem branco (europeu) como corrompido pelo mundo civilizado e apresenta o índio com ares de "bom selvagem", destacando seu caráter bom, valente e puro. Seus romances indianistas são: O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874).
Romances Históricos
José de Alencar também buscou inspiração em nosso passado para escrever romances históricos, propondo uma nova interpretação literária para fatos marcantes da colonização, como a busca por ouro e as lutas pela expansão territorial. Seus enredos denotam em vários momentos um nacionalismo exaltado e o orgulho pela construção da pátria. Obras históricas: As Minas de prata (1865), Alfarrábios (1873), A guerra dos mascates (1873).
Romances Regionalistas
Os romances regionalistas denotam o interesse do autor pelas regiões mais afastadas do Brasil, alheias à influência européia que predomina na Corte fluminense. Assim, ele alia os hábitos da vida no campo e a cultura popular à beleza natural e exótica das terras brasileiras. Se nos romances urbanos as mulheres são sempre enfatizadas, nas obras de cunho regional os homens recebem o destaque, com toda a sua rudeza, enfrentando os desafios da vida, enquanto que as mulheres assumem papéis secundários. Seus romances regionalistas são: O gaúcho (1870), O tronco do Ipê (1871), Til (1872), O sertanejo (1876). Com eles o autor focalizou, respectivamente, os pampas, o interior paulista e o sertão nordestino, procurando dar conta de nossa diversidade regional.
Manuel Antônio de Almeida
Manuel Antônio de Almeida nasceu em 17 de dezembro de 1831, no Rio de Janeiro, RJ, e faleceu em 28 de dezembro de 1861, em Macaé, RJ. Filho de pais humildes, Antônio de Almeida e Josefina Maria de Almeida, Manuel ingressou na faculdade de Medicina em 1848.
Entre os anos de 1852 e 1853, publicou os folhetins que compõe Memórias póstumas de Brás Cubas, sua única obra. Mesmo formado em medicina, exerceu sempre a profissão de jornalista. Tornou-se diretor da Tipografia Nacional no ano de 1857, foi nesse período que ele deu emprego ao jovem Machado de Assis.
Em 1859, Manuel foi nomeado 2° oficial da Secretaria da Fazenda.
Sua vontade, em 1861, foi de candidatar-se à Assembléia Provincial do Rio de Janeiro, mas enquanto fazia campanha morreu tragicamente no naufrágio do navio Hermes, próximo a Macaé, em 1861.
Sua vontade, em 1861, foi de candidatar-se à Assembléia Provincial do Rio de Janeiro, mas enquanto fazia campanha morreu tragicamente no naufrágio do navio Hermes, próximo a Macaé, em 1861.
Manuel Antônio de Almeida é considerado um homem de transição entre O Romantismo e o Realismo. Isso se dá porque sua obra, apesar de apresentar convenções do Romantismo, já traz algumas características do movimento que estava por vir, como, por exemplo, os personagens não idealizados, ou seja, mais próximos do real, e linguagem mais simples e popular, se comparada, a outros escritores do mesmo período.
Manuel Antônio de Almeida foi autor apenas de uma obra: Memórias de um Sargento de Milícias.

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