Condoreirismo
Simbolizada pelo Condor, uma ave que costuma construir seu ninho em lugares muito altos e tem visão ampla sobre todas as coisas, ou Hugoniana, referente ao escritor francês Victor Hugo, grande pensador do social e influenciador dessa geração.
Os destaques desta geração foram Castro Alves, Sousândrade e Tobias Barreto. Castro Alves, denominado "Poeta dos Escravos", o mais expressivo representante dessa geração com obras como Espumas Flutuantes e Navio Negreiro. Sousândrade não foi um poeta muito influente, mas tem uma pequena importância pelo descritivismo de suas obras. Tobias Barreto é famoso pelos seus poemas românticos.
As principais características são o erotismo, a mulher vista com virtudes e pecados, o abolicionismo, a visão ampla e conhecimento sobre todas as coisas, a realidade social e a negação do amor platônico, com a mulher podendo ser tocada e amada.
Principais Autores:
Castro Alves
Nascido na Bahia, Antônio Frederico de Castro Alves recitava seus poemas já em festividades do ginásio. Em 1862, vai para o Recife ingressar na Faculdade de Direito. Passa, então, a publicar poemas em jornais da cidade. Poeta, frequentador dos teatros, é reprovado nos primeiros exames de ingresso à faculdade. Em 1863, conhece Eugênia Câmara, atriz portuguesa por quem se apaixona. Ainda nesse ano, apresenta os primeiros sinais de tuberculose. Ingressa na Faculdade de Direito em 1864, mas dedica-se ainda mais à poesia.
Castro Alves cria, com Rui Barbosa, seu contemporâneo de faculdade, uma sociedade abolicionista. A partir de 1866, vai morar com Eugênia Câmara. Em 1867, mudam-se para Salvador, onde encenam a peça Gonzaga ou a Revolução de Minas, de sua autoria. Em 1868, vai para São Paulo com Eugênia concluir o curso de Direito. É abandonado por Eugênia. Em uma caçada, a arma que carregava dispara contra o próprio pé. Levado ao Rio de Janeiro tem o pé amputado. A tuberculose vem à tona. Retorna à Bahia no final de 1869 para tratar-se e cuidar da publicação de Espumas Flutuantes, que se dá no final de 1870. Em julho de 1871, o 'Poeta dos Escravos' morre em Salvador.
Os poemas de amor de Castro Alves têm, muitas vezes, fundo autobiográfico, como 'Hebreia', 'Adormecida' e 'O 'Adeus' de Teresa', e aqueles inspirados em Eugênia Câmara, como 'É Tarde' e 'O Gondoleiro do Amor'. Nestes, a descrição da amada traz uma sensualidade sem precedentes no Romantismo brasileiro. Poemas como 'Mocidade e Morte' e 'Quando Eu Morrer' revelam um poeta ainda influenciado pelo Ultrarromantismo de Junqueira Freire. Há ainda poemas descritivos, como 'Aves de Arribação', em que a natureza brasileira é apresentada com intensa plasticidade.
A poesia de Castro Alves caracteriza-se por: grandiloquência dos versos, predominantemente oratórios; temas sociais e políticos; ideais de igualdade. Seus versos contribuem, de foram decisiva, para a formação de nossa consciência liberal, abolicionista e republicana.
Alguns aspectos merecem ser destacados na produção literária de Castro Alves: A poesia social, abolicionista (gênero épico): O poeta, neste tipo de poesia, vale-se de metáforas, antíteses, hipérboles e apóstrofes. Os poemas mais expressivos são: O Navio Negreiro, Vozes d'África, A Cruz na Estrada; A poesia amorosa (gênero lírico): Motivos constantes em seus versos: o perfume, os cabelos femininos, os seios. Grande é a importância dada ao sexo; A poesia patriótica: Ode ao Dois de Julho, recitada no teatro de São Paulo, e Pedro Ivo; A poesia da natureza: Castro Alves é o pintor da natureza bravia, virgem e trágica. Explora os elementos: mar, infinito, vastidão, além do voo do condor e do albatroz. A poesia abolicionista é a melhor de sua obra; nela o poeta denuncia as injustiças sociais, clama pela liberdade, repudia a escravatura. Escreveu: Os Escravos, A Cachoeira de Paulo Afonso, O Livro e a América, Deusa Incruenta, A Imprensa, Mocidade e Morte, Hinos do Equador.
As poesias castroalvinas, pelos seus temas, enquadram o autor numa fase de transição entre o Romantismo e o Realismo. Uma boa parte de sua obra ficou inacabada, em virtude de sua morte prematura. O único livro de versos que publicou foi Espumas Flutuantes, em 1870, em Salvador.
Sousândrade
Joaquim de Sousa Andrade (Guimarães, 9 de julho de 1833 – São Luís, 21 de abril de 1902) foi um escritor e poeta brasileiro. Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris, onde fez também o curso de engenharia de Minas. Republicano convicto e militante transfere-se, em 1870, para os Estados Unidos.
Sua obra de estreia, Harpas Selvagens (1858), revela um lirismo reflexivo influenciado por poetas alemães. Já morando em Nova York, publica sua maior obra, o poema longo Guesa Errante (1874 a 1877), que ficou inacabado. Neste, o autor utilizou recursos expressivos, como a criação de neologismos e de metáforas vertiginosas. No período de 1871 a 1879 foi secretário e colaborador do periódico O Novo Mundo, dirigido por José Carlos Rodrigues em Nova York (EUA).
Retornando ao Maranhão, comemora com entusiasmo a Proclamação da República. Em 1890 foi presidente da Intendência Municipal de São Luís. Realizou a reforma do ensino, fundou escolas mistas e idealizou a bandeira do Estado, garantindo que suas cores representassem todas as raças ou etnias que construíram sua história. Foi candidato a senador, em 1890, mas desistiu da eleição. No mesmo ano foi presidente da Comissão de preparação do projeto da Constituição Maranhense. Morreu em São Luís, abandonado, pobre e considerado louco.
A obra do maranhense Joaquim de Sousa Andrade foi esquecida durante décadas. Resgatada no final da década de 1950, pelos irmãos poetas Augusto e Haroldo de Campos e pelo crítico Luiz Costa Lima, revelou-se uma das mais originais e instigantes do nosso Romantismo.
Em 1877, escreveu: “Ouvi já dizer por duas vezes que o Guesa Errante será lido 50 anos depois; entristeci – decepção de quem escreve 50 anos antes”.
Tobias Barreto
Aprendeu as primeiras letras com o professor Manuel Joaquim de Oliveira Campos. Estudou latim com o padre Domingos Quirino, dedicando-se com tal aproveitamento que, em breve, iria ensinar a matéria em Itabaiana, onde também dedicou-se à música, sendo cantor e flautista da Filarmônica Nossa Senhora da Conceição (nome atual).
Em 1861 seguiu para a Bahia com a intenção de freqüentar um seminário mas, sem vocação firme, desistiu de imediato. Sem ter prestado exames preparatórios voltou à sua vila donde sairá com destino a Pernambuco. Em 1854 e 1865 o jovem Tobias, para sobreviver, deu aulas particulares de diversas matérias. Na ocasião prestou concurso para a cadeira de latim no Ginásio Pernambucano, sem conseguir, contudo, a desejada nomeação.
Em 1867 disputou a vaga de Filosofia no referido estabelecimento. Venceu o prélio em primeiro lugar, mas é preterido mais uma vez por outro candidato.
Para ocupar o tempo entrega-se com afinco à leitura dos evolucionistas estrangeiros, sobretudo o alemão Ernest Haeckel que se tornaria um dos mais famosos cientistas da época com seus livros "Os Enigmas do Universo" e "As Maravilhas da Vida".
No campo das produções poéticas passou Tobias a competir com o poeta baiano Antônio de Castro Alves, a quem superava, contudo, no lastro cultural.
O fato de ser mestiço prejudicou-lhe a vida amorosa numa época cheia de preconceitos, conforme testemunho de Sílvio Romero.
Na oratória Tobias se revelava um mestre, qualquer que fosse o tema escolhido para debate. O estudo da Filosofia empolgava o sergipano que nos jornais universitários publicou "Tomás de Aquino", "Teologia e Teodicéia não são ciências", "Jules Simon", etc.
Ainda antes de concluir o curso de Direito casou-se com a filha de um coronel do interior, proprietário de engenhos no município de Escada.
Eleito para a Assembléia Provincial não conseguiu progredir na política local.
Dedicou vários anos a aprofundar-se no estudo do alemão, para poder ler no original alguns dos ensaístas germânicos, à frente deles Ernest Haeckel e Ludwig Büchner". Conta Hermes Lima, em sua magnífica biografia de Tobias, que ele "para irritar o burguês, com uma nota mais ostensiva de superioridade, abria freqüentemente seu luminoso leque de pavão: o germanismo". Foi em alemão que Tobias redigiu o "Deutscher Kampfer" (O lutador alemão). Mais tarde sairiam de sua pena os "Estudos Alemães".
A residência em Escada durou cerca de dez anos. Ao voltar ao Recife, aos escassos proventos que recebia juntaram-se os problemas de saúde que acabaram por impedí-lo de sair de casa.
Tentou uma viagem à Europa para restabelecer-se fisicamente. Faltavam-lhe os recursos financeiros para isso. Em Recife abriram-se subscrições para ajudá-lo a custear-lhe as despesas.
Em 1889 estava praticamente desesperado. Uma semana antes de morrer enviou uma carta a Sílvio Romero solicitando, angustiosamente, que lhe enviasse o dinheiro das contribuições que haviam sido feitas até 19 de junho daquele ano. Sete dias mais tarde falecia, hospedado na casa de um amigo.A obra de Tobias é de significativo valor, levando em conta que o professor sergipano não chegou a conhecer a capital do Império.
Suas "Obras Completas", editadas pelo Instituto Nacional do Livro, incluem os seguintes títulos: "Ensaios e Estudos de Filosofia e Crítica", 1875. "Brasilien, wie es ist", 1876. "Ensaio de pré-história da literatura alemã". "Filosofia e Crítica". "Estudos Alemães", 1879. "Dias e Noites", 1881. "Polêmicas", 1901. "Discursos", 1887. "Menores e Loucos", 1884.
Em 1882, Barreto foi selecionado, por meio de concurso público, para uma cátedra na Faculdade de Direito do Recife. Hoje, em sua homenagem, a Faculdade de Direito do Recife é carinhosamente chamada de "A Casa de Tobias".

1 comentários:
conteudo de 1º!!!!
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